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Doenças Mentais – umas palavras

Ainda há pessoas que quando ouvem falar de alguém que tem uma doença mental retraem-se, pensam para si “ coitado, é maluco” e imaginam logo que essa pessoa singular deverá ser torturada por demónios que só ela vê, que terá um comportamento aberrante, dando nas vistas, que manifestará fúrias imprevisíveis ou que será um pobre de espírito sem vontade própria e condenado à vida marginal.
Estas são falsas ideias, muitas vezes saídas ou reforçadas por filmes, romances de frisson, ou meios de comunicação à procura de audiências.
Na verdade a doença mental não é singular, é demasiado comum: 1 em cada 5 pessoas terá uma doença mental ao longo da vida. Pense em si e na sua família, no seu círculo mais chegado, quantas pessoas haverá que têm, ou vão ter, doença mental? O que se passa é que, por causa do estigma (preconceitos de ignorância) muitas pessoas escondem a sua doença mental e, ao fazê-lo prejudicam-se: não desfrutam de tratamento atempado ou vivem o stresse duma vergonha absurda.
Outra importante realidade é que em cerca de 10 pessoas com doença mental, 8 podem voltar a ter vidas normais e produtivas se receberem o tratamento apropriado, o que é viável pois há diversos disponíveis.

O que é a doença mental?
Não há uma, mas diversas e distintas doenças mentais. Em sentido lato diz-se que alguém sofre de doença mental quando tem algum tipo de sofrimento emocional, quando nota dificuldades cognitivas (atenção, concentração, memória, raciocínio, etc.) ou se a percepção ou o pensamento se modificam, ou se se observa alteração do comportamento esperável. Porém, para se fazer um diagnóstico preciso é necessário combinar estes com outros dados a recolher numa entrevista presencial.

O que causa doença mental?

Como não há uma só entidade patológica, não há uma só causa. Hoje em dia sabe-se que há alterações biológicas no cérebro (central de comando do nosso ser) das pessoas com doença, mas que também há factores genéticos que podem interferir, bem como determinantes psicológicos, tóxicos, físicos e sociais. Por exemplo, uma pessoa pode desenvolver uma demência por exposição a químicos industriais, outra pode ter alterações dramáticas de comportamento após um acidente que provocou traumatismo craniano, outra pode vir a sofrer de depressão profunda depois de uma perda duma pessoa significativa, ainda outra pode ter ansiedade persistente na sequência de sucessivos martírios no local de trabalho. Muitas pessoas têm vidas plenas e sem traumas e adoecem simplesmente por que o organismo deixou de funcionar bem.

Quem pode ser afectado?
Qualquer pessoa, de qualquer condição e idade, até crianças.

A doença mental nota-se?
Os filmes dão quase sempre uma imagem errada. A pessoa com doença psiquiátrica raramente tem um ar bizarro. Apenas numa parcela de doenças, mais raras, o aspecto exterior revela a doença. Há mesmo doenças muito graves, que culminam no suicídio, em que nada houve que atempadamente chamasse a atenção sobre o doente, e assim não se pode evitar o desfecho fatal.


Quais são as doenças mais comuns?
São a ansiedade e a depressão. É preciso não confundir com “nervos” ou “tristeza”, estas são emoções passageiras e naturais que passam rápido como as nuvens e que até podem ser úteis em certas situações.
Quando se fala em doenças ansiosas refere-se a um conjunto de diagnósticos: fobias, pânico, ansiedade generalizada, stress pós-traumático e doença obsessiva compulsiva.
As doenças depressivas, que são também diversas, actuam como que enevoando a percepção da vida: torna-se tudo cinzento, sem gosto, com pouca esperança e nenhuma energia.
Estas doenças afectam no conjunto mais de 15% da população.

Será que as doenças mentais são graves?
É verdade, não são só frequentes, atingem uma gama ampla da população, mas são comprovadamente graves.
Em diversas pesquisas os peritos têm concluído que são as mais sérias ameaças à saúde no mundo moderno: estão em crescimento, muitas mortes decorrem de doença mental não tratada - suicídios, acidentes de trânsito, descuidos com os auto-cuidados de saúde, abuso de tóxicos-. Mais do que a mortalidade os efeitos crónicos da doença não tratada, ou mal tratada, minam a sociedade. Têm impacto nos gastos directos e indirectos de saúde, na menor produtividade, na corrosão da qualidade de vida intra e inter-gerações e por ai fora, com a agravante de que atingem um grupo etário jovem, de quem haveria muito a esperar.

Sinais de alarme.
Embora não cheguem para estabelecer a presença de doença, já indiciam fortes suspeitas. Tome atenção a:

  • MARCADA ALTERAÇÃO NA PERSONALIDADE (maneira de ser)

  • PERDA DA HABILIDADE PARA LIDAR COM OS PROBLEMAS E ACTIVIDADES DO DIA A DIA

  • IDEIAS ESTRANHAS

  • ANSIEDADE EXCESSIVA

  • TRISTEZA PROLONGADA OU APATIA

  • ALTERAÇÃO EVIDENTE NOS HÁBITOS (sono, alimentação)

  • PENSAR OU FALAR EM SUICIDIO

  • “ALTOS E BAIXOS” EXTREMADOS

  • ABUSO DE ALCOOL OU TÓXICOS

  • DEMASIADA IRRITABILIDADE, HOSTILIDADE OU MESMO COMPORTAMENTO VIOLENTO

American Psychiatric Association


Há esperança!

A maioria das pessoas recuperam, ou pelo menos melhoram com o tratamento. Os remédios aliviam os sintomas agudos da esquizofrenia ou da doença bipolar em 90% dos casos. Uma parte significativa pode retomar uma vida com qualidade se mantiver o tratamento de longa duração que lhe foi recomendado. As depressões e as doenças ansiosas podem ser tratadas com grande efectividade, combinando psicoterapia com medicação. Quem usa tóxicos vai precisar duma vontade e determinação só suas para fazer uma aliança terapêutica, se tal suceder e persistir terá êxito no seu processo de tratamento.
Em qualquer dos casos o primeiro passo é reconhecer a doença, admitir que precisa de tratamento e que é impossível fazê-lo sozinho.



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