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Doenças Mentais em Crianças

Doenças mentais em crianças?

Parece estranho mas é verdade, as crianças também sofrem de doenças mentais.

Diz-se que" os melhores anos são os da meninice", e também que "ser criança é ser feliz". Á partida parece impensável que as crianças tenham problemas emocionais e psíquicos. Porém, está provado que muitos milhões de crianças no mundo sofrem de depressão. Esta doença aparece em mais do que 1 em cada 1000 da crianças que têm entre 10 e 14 anos. O suicídio é das principais causas de morte dos adolescentes. Pelo menos 4 em 100 000 crianças têm autismo, uma doença grave que dá sinais nos primeiros anos de vida. Um número muito maior, de crianças de ambos os sexos, têm perturbações do desenvolvimento com dificuldades na linguagem, na escrita ou na leitura. Outras situações comuns são a ansiedade, a hiperactividade, as fobias (medos) graves e s perturbações do comportamento. E todos conhecem a epidemia que hoje representa o uso e abuso de álcool e drogas.
É certo que as crianças têm doenças mentais (psiquiátricas) mas também é, infelizmente, sabido que em cada 10 que estão doentes só 2 é que recebem o tratamento que lhes faz falta.
Há que mudar.

Porque é que estas crianças não recebem tratamento?

• É absurdo, mas muitos adultos recusam-se a aceitar que as crianças possam ter doenças mentais. Mesmo quando notam sinais de que algo vai mal reagem de forma errada:
Não ligam e pensam "isso passa-lhe"
Recorrem a castigos e a disciplina muito rígida, acusando a pobre vítima
São demasiado brandos e deixam as crianças "à vontade", desprotegendo-a ainda mais
Culpam-se a si próprios e ruminam "aonde é que eu errei?"
Escondem a situação porque têm vergonha

• Outros entregam-se à sorte, ou ao azar, porque acham que não se pode fazer nada. Desconhecem que as doenças mentais em crianças têm tratamento, não sabem que há serviços próprios, nem como fazer para marcar consultas.

• Outros ainda, irresponsáveis, desligam-se, não querem saber pois acham que um tratamento será ou muito caro, ou muito longo ou dará muito trabalho.


Vamos ajudar as crianças!

As crianças serão os adultos de amanhã e o melhor seguro de vida para toda a humanidade. Se os adultos não cuidarem dos menores em todas as dimensões imprescindíveis ao bom desenvolvimento teremos comprometido o futuro com prejuízo global.
O cérebro/mente é a central de comando de qualquer pessoa. Nela reside o cerne do funcionamento de todos os sistemas físicos (da respiração à locomoção) e, acima de tudo, contém o potencial de realização de cada pessoa. Quanto mais cedo esta "central do ser" for danificada piores as repercussões.
Daí, se queremos que todas as crianças sejam o que de melhor puderem ser, temos, pelo menos, de lhes proporcionar o tratamento de que precisam para a sua doença mental.
Para isso nada melhor do que reconhecer os sinais dos problemas mais comuns, compreender o que pode fazer e não se culpar nem se envergonhar pela existência de doenças nos seus familiares.

Eis uma lista de situações que o deverão alertar para a existência de doença mental em crianças:

• Queixas físicas recorrentes (dores de cabeça, dores abdominais, vómitos, febre) para as quais o médico não encontro razão

• Nervosismo ou tiques

• Pânico quando se separa dos pais/familiares próximos

• Instabilidade, inquietação

• Irritabilidade, " do contra", zanga geral

• Aspecto de aflição e medos vários (do escuro, de animais, de pessoas, da escola)

• Timidez excessiva, ficar "colado às paredes", isolamento

• Falta de desejo de brincar, desinteresse

• Choro fácil, desânimo, tristeza

• Demasiada docilidade, passividade, "sonhar acordado"

• Desinteresse por jogos, desportos

• Dificuldade de aprendizagem ou queda súbita do rendimento escolar

• Desenvolvimento psicomotor inadequado

• Dificuldade em concluir actividade que exijam atenção

• Alterações do sono ou do apetite

• Uso de álcool ou tóxicos

• Comportamento socialmente inaceitável (mentira repetida, danificar objectos, iniciar brigas, crueldade com animais, fugas, roubos)

• Mudanças "estranhas" no comportamento usual ou esperado para aquela idade

Dependendo do tempo de permanência, da combinação destes, ou doutros sintomas e sinais e do impacto dos mesmos na vida diária assim se fará o diagnóstico do problema

O psiquiatra infantil -pedopsiquiatra- é o médico especializado nas doenças mentais das crianças, mas o seu médico de família saberá informar acerca de quando e como deverá procurar a intervenção deste especialista.

Normalmente, as doenças mentais infantis e dos adolescentes tratam-se com psicoterapia. Muitas vezes além da palavra usam-se jogos e música para ajudar na comunicação. É habitual que a família participe no tratamento, por vezes é fundamental psicoterapia familiar.
Há casos em que é preciso usar medicamentos, mesmo em crianças pequenas. Não se preocupe pois o especialista saberá como os seleccionar. Noutros casos tem de se escolher um programa educacional especial (estimulação cognitiva ou outra, psicopedagogia, terapia da fala, etc.) para a criança.
É o pedopsiquiatra que deverá fazer o diagnóstico (por vezes é preciso fazer "testes"psicológicos) e planear o tratamento. Outros profissionais poderão ser chamados a intervir; psicólogos, professores, técnicos de reabilitação, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais).

No início as sessões de tratamento poderão ser semanais, depois serão mais espaçadas.
A duração do tratamento é variável conforme os casos, o que é certo é que quanto mais precoce for a acção mais fácil e rápida será a solução.

As crianças têm uma grande capacidade de recuperar. A chave é pois, reconhecer os problemas e procurar o tratamento adequado. Dirija-se ao seu médico de família, ou à consulta de psiquiatria infantil do hospital da sua área de residência ou ao pedopsiquiatra da sua confiança. Se tomou conhecimento dum caso de potencial afecção e não é familiar da criança aconselhe os pais. Em ambos os casos o que é importante é que não "baixe os braços e feche os olhos". Quando se trata de menores todos somos responsáveis.

Maria Antónia Frasquilho, psiquiatra



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