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Psicoses

O termo psicose é definido como a incapacidade de distinguir entre a experiência subjectiva e a realidade externa, ou seja, existe uma perda de contacto com a realidade!

Exemplificando, todos nós poderemos pensar que determinada pessoa nos quer prejudicar (por exemplo um vizinho que não gosta de nós, um chefe ou um professor que insistem em nos criticar), mas ao mesmo tempo que pensamos isto vem-nos à cabeça a dúvida, perguntamo-nos se não será uma sensação só nossa, será que nos querem mesmo prejudicar? São postas hipóteses, se calhar o vizinho não nos fala porque não fala com ninguém, fizemos erros no trabalho porque estávamos desatentos. Isto só é possível porque distinguimos o “nosso mundo” do “mundo exterior”, na psicose este processo está perturbado. Uma pessoa psicótica não põe em dúvida as suas crenças por mais estranhas que pareçam aos outros, pode pensar que o vizinho está a fazer magia negra para o matar, sentir que existe uma conspiração do governo que envolve o seu professor ou o seu chefe… por mais que isso seja posto em causa pelos outros ele não duvida e organiza as suas acções em função disto! Isto acontece porque o que ele pensa corresponde à realidade, não é feita a distinção do subjectivo e da realidade externa.

A psicose é um estado incompreensível para quem está “de fora” é, de todo, impossível perceber o modo de pensar de alguém psicótico, tudo é estranho e nada faz sentido.

Os sintomas mais comuns de psicose são os delírios e as alucinações.

  • Delírio - convicção falsa e inabalável, fora do contexto social e cultural do doente, de origem mórbida, não sendo possível modificar através da demonstração do real.

    • Ex: Um doente que acredita que os “extraterrestres lhe implantaram um chip no cérebro para o controlar”. Não cede a qualquer argumento dizendo que isso é impossível, chega a fazer uma TAC de Cérebro que não mostra qualquer chip e mesmo assim defende-se dizendo que “a tecnologia extraterrestre é muito avançada e não é possível detectar na TAC”.

  • Alucinações - Experiências perceptivas (sensações) tomadas por reais na ausência de estímulo externo correspondente. Para o doente é impossível distinguir as alucinações das verdadeiras percepções. Podem ser auditivas (vozes), visuais (pessoas, vultos, imagens), sensitivas (toques, calor), olfactivas (cheiros) e gustativas (sabores).

    • Ex: O mesmo doente de cima ouve as “vozes de Marte, que lhe dizem o que deve fazer” e ao mesmo tempo, quando não lhes obedece, sente calor na cabeça, o que interpreta como “o chip a queimar-lhe o cérebro”.

Para além destes sintomas é frequente observar-se

  • Comportamentos estranhos – que podem ser causados pelos delírios (ex: entrar numa loja e vasculhar todos os recantos à procura de microfones), pelas alucinações (ex: as vozes obrigam-no a andar sempre com as mãos na cabeça), ou mesmo pela doença causadora da psicose.

  • Isolamento social - a maioria destes doentes acaba por se isolar, deixa a escola, o emprego, deixa de estar com os amigos.

  • Desconfiança – é possível que desconfiem dos outros, que sintam que eles fazem parte de uma conspiração ou que o querem matar.

  • Alterações de personalidade – muitas das vezes existem alterações marcadas da maneira de ser, por exemplo determinada pessoa muito extrovertida, conversadora e que gostava de sair à noite, pode ficar muito virada para dentro, deixar de socializar, ter medo de falar com os outros.

  • Alterações do humor – tanto depressões, como euforias podem ser vistas associadas a psicose. Outras alterações podem ser a incapacidade de ajustar o humor ou a labilidade emocional.

  • Desorganização – pode ser vista a nível do pensamento ou das acções. Parece fazer “coisas sem sentido” ou pensar de forma não lógica.

O que pode causar uma “Psicose”?

O termo psicose refere-se a um conjunto de sintomas, em que o principal organizador é a perda de contacto com a realidade. Múltiplas doenças e perturbações podem apresentar-se como psicose, estas são as mais frequentes:

  • Esquizofrenia: tem habitualmente o seu começo na adolescência tardia e só muito raramente aparece antes da puberdade. É uma doença crónica, que afecta cerca de 1% da população, apresenta múltiplos sintomas psicóticos.

  • Depressão: em casos graves de depressão é possível apresentar sintomas psicóticos (ex: ouvir vozes que dizem que a pessoa é um fracasso; ter um delírio em que a pessoa acha que já morreu).

  • Doença bipolar: tanto na depressão, como na fase de mania é possível estar psicótico (ex: um bipolar em fase maníaca pode ter a convicção delirante que é um profeta).

  • Drogas: A causa mais frequente de psicose durante a adolecência é o abuso de drogas. O abuso de drogas como Cannabis (Marijuana), LSD (Ácidos), Metanfetaminas (Speeds, Pastilhas), Ectasy e Cocaína (crack), pode levar ao aparecimento de um quadro psicótico, por vezes prolongado e que pode evoluir para Esquizofrenia.

  • Doenças orgânicas: como tumores, encefalites ou determinadas alterações hormonais.

  • Demência: vários tipos de demência podem cursar com sintomas psicóticos, mesmo em fases iniciais.

  • Abstinência álcool: muitas vezes pessoas com alcoolismo crónico, ao deixarem de beber repentinamente podem ter sintomatologia psicótica.

  • Epilepsia: nomeadamente a epilepsia do lobo temporal pode cursar com sintomas psicóticos.

O que fazer?

Muitas vezes, as pessoas que sofrem de psicose não reconhecem que estão doentes, muitos não irão pedir ajuda pois tem medo de ser rotulados como “malucos”. Se conhece alguém que pensa estar psicótico, deve levar essa pessoa a um profissional de saúde o mais rapidamente possível.

Existem riscos próprios à psicose, por exemplo, o doente pode matar-se porque as vozes lhe disseram para fazer isso ou pode atirar-se de uma janela porque acha que pode voar. Para além disto a psicose está associada a doenças que, se não forem tratadas rapidamente, podem evoluir para formas crónicas e com “degradação cerebral”.

Existem tratamentos eficazes para a psicose, quanto mais cedo melhor!

Uma pessoa que tem uma doença psicótica irá necessitar de assistência especializada. É necessário fazer o despiste de patologias orgânicas, assim sendo, num primeiro episódio de psicose o seu médico irá pedir-lhe análises, exames de imagem e/ou um electroencefalograma. O tratamento envolve medicação antipsicótica, apoio psicossocial, apoio familiar e educação para a doença. Com apoio adequado a maioria das pessoas que desenvolve uma psicose irá recuperar.

Diogo Guerreiro 2007



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